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educação financeira·por Equipe Endinheirados·14 de julho de 2026·5 min

Move Aplicativos passa de R$ 1 bi em financiamentos; veja quem pode acessar

Linha de crédito para motoristas de app e taxistas atinge marco de R$ 1 bilhão em aprovações com juros menores que o mercado.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 14 de jul. de 2026, 22:30
Move Aplicativos passa de R$ 1 bi em financiamentos; veja quem pode acessar
Foto: Foto: G1 Economia · Unsplash

O Move Aplicativos, programa de crédito criado para facilitar o financiamento de carros a motoristas de aplicativo e taxistas, ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados. O número é significativo porque mostra que existe demanda real por esse tipo de produto, mesmo num mercado onde conseguir dinheiro emprestado costuma ser caro e complicado.

Como funciona o programa Move Aplicativos

O Move Aplicativos faz parte do Programa Move Brasil, uma iniciativa que oferece condições especiais de crédito para profissionais que vivem de aplicativos de transporte e táxi. A ideia é fornecer juros mais baixos do que os praticados no mercado convencional, exatamente porque esses motoristas conseguem comprovar renda de forma diferente de quem tem emprego tradicional.

Motoristas de app e taxistas enfrentam historicamente uma dificuldade: os bancos tradicionais exigem documentação complexa e cobram spreads altos (a margem do banco sobre a taxa de juros básica) quando veem esses profissionais como risco. O Move contorna isso ao reconhecer que alguém que faz 40 corridas por semana tem fluxo de caixa previsível, mesmo sem carteira assinada.

Por que R$ 1 bilhão importa

Para ter proporção: em 2025, o Brasil tinha aproximadamente 1,7 milhão de motoristas ativos em aplicativos de transporte. Se R$ 1 bilhão foi financiado, estamos falando de um valor médio próximo a R$ 600 mil por pessoa que conseguiu aprovação. Esse é o preço típico de um carro usado, ou o restante de uma entrada de um carro novo.

O marco também sinaliza que bancos e fintechs estão vendo nesse segmento um negócio viável. Motorista com renda comprovada no app paga em dia porque precisa do carro para trabalhar. O risco de calote é menor que em outros tipos de crédito pessoa física.

Quem pode pedir

  • Motoristas cadastrados há pelo menos 3 meses em plataformas de ride (Uber, 99, Didi, Beat)
  • Taxistas com licença ativa
  • Profissionais que conseguem comprovar renda mensal de pelo menos R$ 2 mil (valores variam conforme a instituição)
  • Pessoas sem restrições graves no CPF ou com histórico de negativação recente

As condições exatas mudam de banco para banco. A maioria exige que o carro seja financiado em nome do motorista e que ele mantenha a atividade durante o período de pagamento. Alguns programas oferecem taxa fixa; outros vinculam aos juros de mercado.

O que mudou no acesso a crédito

Antes de iniciativas como o Move, motorista de app tinha basicamente duas opções: financiar em lojas de carro com juros astronômicos (20% ao ano ou mais) ou recorrer a agiota. Com o programa, é possível encontrar taxas entre 12% e 18% ao ano, dependendo do perfil e da instituição. É ainda caro comparado com um funcionário público (que consegue 6% a 8%), mas é realista para quem trabalha por conta.

O sucesso de R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados em poucos anos também mudou a mentalidade de bancos em relação a esse público. Deixaram de vê-los como "muito arriscados" e passaram a vê-los como um segmento de nicho com potencial. Isso abre porta para outros produtos: seguros específicos, crédito pessoal, contas com taxas reduzidas.

O que vem agora

Com o programa consolidado, o próximo passo natural é expandir para outras categorias de profissionais autônomos que enfrentam problema parecido: entregadores de delivery, eletricistas, encanadores. Se a abordagem funciona para motorista de app, por que não para quem depende de moto para fazer entrega ou van para fazer fretes?

Enquanto isso, motoristas que já financiaram carro pelo Move continuarão gerando dados sobre comportamento de pagamento. Esses dados são ouro em pó para banco: permitem ajustar taxa, expandir o programa ou até criar novos produtos baseado em padrões reais de renda e inadimplência. É um ciclo que tende a se reinventar a cada R$ 1 bilhão que passa.

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