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investimentos·por Leonam Alves·05 de setembro de 2026·5 min

Lupo produz no Paraguai por um terço do custo e acelera expansão internacional

Marca de meias e lingerie passou a fabricar no Paraguai por um terço do custo e agora quer expandir para outros países da região.

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 05 de set. de 2026, 21:30
Lupo colhe frutos de expansão para Paraguai e Portugal
Foto: Foto: InvestNews · Unsplash
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A Lupo, tradicional fabricante de meias e lingerie com sede em Araraquara (SP), encontrou no Paraguai uma estrutura de custos até três vezes menor do que a do Brasil e está usando isso como trampolim para avançar no mercado internacional. O movimento foi detalhado por Carlos Alberto Mazzeu, primeiro CEO da Lupo que não pertence à família fundadora, em entrevista à InvestNews.

Por que o Paraguai e não a Ásia?

A escolha por um país vizinho em vez de destinos tradicionais como China ou Vietnã tem uma explicação prática: logística. Para o mercado sul-americano, fabricar no Paraguai reduz o tempo de entrega e o custo de transporte em comparação com mercadorias vindas da Ásia, de onde a carga leva semanas para chegar. Além disso, o país tem acordos comerciais que dão acesso preferencial a mercados do Mercosul e a outros países da região. Mazzeu não detalhou quais países estão na rota de expansão, mas indicou que a estratégia mira vizinhos.

O custo de produção por unidade no Paraguai gira em torno de um terço do verificado nas fábricas brasileiras, segundo o executivo. A diferença vem principalmente de energia mais barata, tributária menor e mão de obra mais acessível. Para uma indústria intensiva em mão de obra como a têxtil, esse recorte pesa direto no preço final.

O que muda com um CEO de fora da família

A chegada de Mazzeu marca uma virada na governança da Lupo, que historicamente foi comandada por membros da família fundadora desde a criação, em 1921. Contratar um executivo externo é sinal clássico de profissionalização, algo comum quando empresas familiares decidem dar um salto de crescimento ou se preparar para abrir capital.

Para o consumidor brasileiro, o efeito indireto pode aparecer em duas pontas. De um lado, produtos Lupo vendidos fora do Brasil passam a competir em outros mercados, o que pode diluir custos fixos da operação. Do outro, a produção migrada para o Paraguai não significa fechamento imediato de fábricas no Brasil, mas é um sinal de que a empresa já não considera o parque industrial nacional suficiente para bancar a estratégia global.

O setor têxtil em xeque

A indústria de vestuário e têxtil no Brasil atravessa uma década difícil, com fechamento de postos de trabalho e migração da produção para países com custos menores. Enquanto gigantes globais da moda operam majoritariamente na Ásia, empresas que atendem o mercado regional buscam alternativas mais próximas para ganhar competitividade.

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  • ✓O Paraguai tem se consolidado como destino de relocação de indústrias têxteis sul-americanas pelo custo de produção e pela proximidade com o Brasil.
  • ✓Marcas como Lupo ainda mantêm parte da produção em Araraquara, onde funcionam unidades voltadas ao mercado interno e produtos com maior valor agregado.
  • ✓A estratégia de internacionalização é vista no mercado como preparatória para uma eventual abertura de capital (IPO) ou entrada de sócio estratégico.
  • ✓O varejo brasileiro, que vende as peças Lupo em larga escala, pode ser impactado indiretamente se a empresa priorizar mercados externos mais rentáveis.

O próximo passo da Lupo, segundo Mazzeu, é aprofundar a presença nos países do entorno sem abandonar o mercado brasileiro, que segue como carro-chefe. A expansão internacional entra agora na fase de execução: onde abrir, com que marca e em qual canal vender são decisões que devem aparecer nos próximos meses. Se der certo, a conta simples é que produzir por um terço do custo abre margem para competir em qualquer praça da região.

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