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notícias·por Equipe Endinheirados·20 de julho de 2026·7 min

Lego aposta em chips nas peças para competir com telas

Série Smart Play da Lego traz sensores de movimento, luzes e som. Mas fabricante de brinquedos realmente precisa dessa tecnologia para atrair crianças?

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 20 de jul. de 2026, 14:30
Lego contra-ataca as telas – com chips nas pecinhas
Foto: Foto: InvestNews · Unsplash

A Lego lançou a série Smart Play, uma linha de peças equipadas com sensores de movimento, luzes e som. É a aposta da fabricante de brinquedos dinamarquesa para disputar espaço com tablets, smartphones e videogames na atenção das crianças. Mas a questão que fica é se adicionar eletrônica ao brinquedo que historicamente conquistava gerações apenas com plástico colorido e imaginação é realmente o caminho certo.

O que é a Smart Play

A série traz peças com tecnologia integrada: sensores conseguem detectar quando um bloco é movido, enquanto luzes LED e áudio são acionados durante a brincadeira. A ideia é transformar a construção física em experiência interativa, algo que a Lego nunca havia tentado em larga escala. Não é a primeira vez que a empresa flerta com tecnologia — colaborações com realidade aumentada existem há anos. Mas esta é a primeira vez que a eletrônica fica dentro da peça.

A empresa vê nisso uma forma de engajar crianças que crescem rodeadas de telas e que, segundo dados da indústria de brinquedos, estão passando menos tempo em brincadeiras físicas e criativas.

O dilema da inovação

A contradição é clara: a Lego precisa atrair crianças digital-nativas, mas faz isso adicionando mais tecnologia a um produto cuja beleza sempre foi a simplicidade. O brinquedo original não precisa de bateria, carregamento ou atualização de software. Peças antigas combinam com peças novas. A criança que brinca com Lego precisa apenas da imaginação.

Smart Play pode mudar tudo isso. Baterias precisam ser substituídas, compatibilidade entre gerações fica mais complexa, e o preço deve subir significativamente em relação aos blocos tradicionais. Há uma questão maior também: se a brincadeira depende de feedback eletrônico, a criança fica menos livre pra inventar sua própria narrativa.

Quem ganha e quem perde

  • Para a Lego: a chance de entrar em um mercado de brinquedos tech que cresceu exponencialmente, atraindo crianças que talvez descartasse os blocos tradicionais como "antigos"
  • Para as crianças mais jovens: mais estímulos sensoriais, possível aumento da diversão imediata, mas potencialmente menos espaço para criatividade pura
  • Para os pais: um brinquedo mais caro, com exigências de manutenção tecnológica, mas que promete ser mais atrativo que a versão clássica

A questão de fundo

O mercado de brinquedos físicos tem encolhido em países desenvolvidos. Crianças passam mais tempo em celulares e consoles. A Lego, historicamente, resistiu a isso com campanhas nostálgicas e colaborações com franquias populares. Smart Play é uma mudança de estratégia: em vez de competir pelo tempo livre das crianças, ela traz a tecnologia pra dentro do brinquedo tradicional.

Mas há um risco que não dá pra ignorar. A Lego vendeu meio bilhão de dólares em receita anual porque oferecia algo que nenhuma tela oferecia: tangibilidade. Você constrói algo com as mãos. A peça fica. Você monta outra coisa com as mesmas peças meses depois. Nenhum aplicativo faz isso sem perder seu appeal.

O sucesso da Smart Play vai depender se a empresa consegue adicionar tecnologia sem perder o que a torna especial. Se ela apenas virar um brinquedo tech comum com a marca Lego colada, provavelmente fracassa. Se ela preservar a essência criativa enquanto oferece novos estímulos, pode funcionar. A resposta provavelmente virá das próximas vendas e de como as crianças realmente usam o produto. Por enquanto, é uma aposta alta num momento em que a marca não deveria precisar fazer apostas assim.

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