Tesouro Prefixado: como saber quanto você vai receber no final
Entenda como funciona o Tesouro Prefixado, por que o rendimento é garantido até o vencimento e os cuidados antes de investir.

O combinado que não sai caro
Imagine que você combinou de dividir a assinatura de um streaming com um amigo por vinte reais todo mês durante dois anos. Não importa se a mensalidade subir, se a inflação disparar ou se o dólar explodir: o trato de vocês continua exatamente o mesmo até o fim do combinado. O Tesouro Prefixado funciona numa lógica bem parecida.
Na prática, você empresta dinheiro pro governo federal e ele assina um contrato prometendo devolver o valor investido com uma taxa de juros exata numa data específica. Se na hora da compra a taxa oferecida era de 11% ao ano para 2029, você vai receber exatamente esses 11% ao ano até o último dia, aconteça o que acontecer no país.
Isso traz uma paz de espírito tremenda para quem odeia surpresas. Diferente de investimentos que dependem do humor do mercado, aqui você já sabe no momento em que aperta o botão na corretora quantos reais vão cair na sua conta lá na frente.
A matemática curiosa da nota de mil reais
Tem um detalhe técnico no Tesouro Prefixado que quase ninguém explica direito para quem está começando, mas que é simples de entender. Todo título prefixado vale exatamente R$ 1.000,00 na data do seu vencimento.
Isso significa que quando você investe, você nunca paga mil reais por título. Você paga um valor menor hoje, digamos setecentos ou oitocentos reais, para que essa quantia cresça com os juros combinados e atinja a marca redonda de mil reais no dia do prazo final.
Você também não precisa ter mil reais para começar. O Tesouro Direto (o programa do governo que vende esses títulos públicos pela internet) permite que você compre frações de um título. Dá para investir a partir de cerca de trinta reais, o que custa menos que duas entregas no iFood durante a semana.
O perigo de sacar antes da hora
Tudo parece perfeito, mas existe uma pegadinha que assusta muita gente nova no mercado. O rendimento prometido só é 100% garantido se você deixar o dinheiro quieto até o dia do vencimento.
Se você precisar resgatar o dinheiro antes do prazo, o governo recompra o seu título pelo preço do dia. Esse preço diário varia conforme a expectativa dos juros no Brasil, num mecanismo chamado marcação a mercado. Quer entender mais sobre marcação a mercado? Tem um guia completo lá no blog explicando os detalhes desse sobe e desce.
Em resumo: se os juros do país sobem, o valor do seu título pode cair temporariamente na tela do aplicativo. Se você vender no desespero num dia desses, pode até perder dinheiro. Por isso, a regra de ouro do prefixado é nunca colocar ali aquela reserva que você pode precisar para consertar o celular quebrado amanhã.
Para quem esse investimento faz sentido
O Tesouro Prefixado é ótimo para objetivos que têm data marcada e que não admitem incerteza. Sabe aquela viagem de férias planejada para daqui a dois anos ou a entrada do primeiro carro em 2028? São exemplos perfeitos para travar uma taxa hoje e esquecer o dinheiro rendendo.
Já a sua reserva de emergência (aquele dinheiro guardado para imprevistos e emergências médicas) deve ficar em opções com liquidez diária e sem oscilação, como o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros do país sem sustos na tela.
Investir no prefixado é fazer uma aposta consciente: você olha a taxa oferecida hoje, acha o retorno justo para o seu bolso e dorme tranquilo sabendo que a conta vai fechar no centavo quando o prazo acabar.
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