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cartão de crédito·por Equipe Endinheirados·21 de julho de 2026·6 min

Cartão de crédito com programa de pontos: qual vale mesmo a pena

Nem todo programa de pontos compensa. Veja qual cartão oferece resgate real, quanto você precisa gastar e quando o programa é só ilusão.

A close-up of a hand holding a smartphone outdoors with blurred urban background.
Foto: Foto: Mwabonje Ringa via Pexels · Unsplash

Você sabe quantos meses vai demorar pra juntar pontos suficientes pro resgate que promete? A verdade é que muitos brasileiros acumulam pontos num cartão que nunca chega a lugar nenhum. O programa que parece generoso na hora de abrir a conta vira um labirinto impossível na hora de usar.

A gente vai desvendar por que alguns programas de pontos valem a pena e outros são basicamente uma forma de te distrair enquanto gasta mais.

Como funciona um programa de pontos de verdade

Cada real que você gasta no cartão gera pontos. Simples assim. O problema começa quando você vê quantos reais são necessários pra virar algo de valor real. Um programa decente devolve 1 ponto pra cada real gasto. Um fraco devolve 1 ponto pra cada 2 reais. Parece pequeno, mas em 12 meses de gastos normais, essa diferença vira centenas de reais.

Aí vem a parte que ninguém lê direito: quanto de ponto você precisa juntar pra fazer um resgate? Se um voo custa 50 mil pontos e você acumula 100 por mês, vai demorar 500 meses. Isso é 42 anos. Brincadeira? Não. Alguns programas funcionam assim.

O resgate que realmente existe

Existem três tipos de resgate que faz sentido: passagens aéreas, compras em lojas parceiras e devolução em dinheiro. Passagens parecem glamourosas mas têm pegadinha. Os programas costumam precificar voos de low cost muito caro em pontos. Aquele voo que custa 150 reais no aeroporto vira 8 mil pontos no programa, quando você poderia ter acumulado só 150 pontos se tivesse gasto 150 reais em algo que devolve valor direto.

As compras em lojas parceiras funcionam melhor se você já compra naqueles lugares. Mas aqui tá o detalhe: você tá trocando pontos por desconto, não por algo grátis. Se um eletrodoméstico custa 1.200 reais à vista e o programa oferece 1.200 pontos de desconto, você paga praticamente a mesma coisa.

A devolução em dinheiro é o resgate mais honesto. Você acumula 1.000 pontos, resgata como crédito de R$ 10 na sua fatura. Sem mistério. Alguns cartões devolvem assim, outros cobram taxa pra isso.

Quanto você precisa gastar pra resgate valer

Aqui tá a real: a maioria dos programas só fica vantajosa acima de um certo volume mensal de gasto. Se você gasta R$ 500 por mês no cartão, os pontos que acumula em um ano somam talvez R$ 60 em resgate. Com taxa de anuidade de R$ 100, você saiu no prejuízo.

Se você gasta R$ 3 mil por mês, aí a coisa muda. Num ano acumula uns R$ 360 a R$ 600 em pontos, dependendo do programa. Ainda precisa bater a anuidade, mas começa a fazer sentido.

Acima de R$ 5 mil mensais, os pontos viram realmente interessantes. Alguns programas têm camadas: quanto mais você gasta, mais pontos ganha por real. Um cartão pode devolver 1 ponto por real nos primeiros R$ 2 mil, depois 1,5 ponto por real acima disso.

Os cartões que realmente devolvem

Tem uns que saem na frente. O Itaú Personnalité (com anuidade de R$ 336) devolve bem em categorias como viagens e restaurante. O Bradesco Infinite oferece múltiplos pontos dependendo de onde você compra. O Nubank, sendo sem anuidade, oferece uma taxa menor de resgate mas sem custo inicial, então o breakeven é mais fácil.

Mas aqui vem o aviso: nenhum desses números é escrito em pedra. Os bancos mudam as regras, cancelam programas parceiros, aumentam a taxa de resgate. Um programa que era vantajoso em 2024 pode estar fraco em 2026.

O verdadeiro custo do programa

Anuidade é só parte disso. Tem gasto de oportunidade também. Se você está acumulando pontos que num cenário realista vai catar em 3 anos, você está deixando esse valor imobilizado. Se tivesse pago à vista ou deixado o dinheiro em renda fixa, teria rendido.

Tem também o risco comportamental. Pessoas com programa de pontos tendem a gastar mais porque "tá gerando retorno". R$ 200 extras por mês pra juntar mais rápido é R$ 2.400 anuais. Se o programa vai te devolver R$ 300, você saiu no prejuízo do seu próprio bolso.

Como decidir se vale pra você

Faça a conta sincera: quanto você gasta mensalmente no cartão? Multiplique por 12, depois veja quanto o programa devolve de verdade em um ano. Agora subtrai a anuidade. Se o número final é positivo e maior do que você teria ganho com o dinheiro em poupança ou renda fixa, aí sim vale pena.

Se você gasta menos de R$ 2 mil por mês, cartão sem anuidade sem programa de pontos compensa mais. Se gasta entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, procure programas com anuidade baixa (abaixo de R$ 200) ou que devolvem em dinheiro direto. Acima de R$ 5 mil, aí sim os programas premium com benefícios extras começam a fazer sentido matemático.

Um último detalhe: quanto mais luxuoso o programa, mais ele tenta te vender na volta. Aquele resgate em viagem? Vem sempre com a opção de upgrade de classe, hotel caro, seguro de viagem. Os pontos cobrem a passagem, mas você acaba gastando mais dinheiro real pra aproveitar a viagem.

A verdade é que programa de pontos funciona melhor como bônus de um cartão que você já teria usado do que como razão principal pra ter um cartão com anuidade. Se o cartão oferece boa segurança, cobertura internacional decente e um programa de pontos que devolve mesmo, aí tá bom. Se é só programa de pontos com promessa de viajar grátis, fique de olho: a maior parte desses sonhos não sai do papel.

Transparência

Este conteúdo é editorial e independente. O Endinheirados não é patrocinado pelas empresas citadas e não recebe comissão por nenhuma indicação aqui. As análises são baseadas em informações públicas e servem apenas como ponto de partida — sempre confirme taxas e condições diretamente com a empresa antes de decidir. Este material é informativo e não constitui recomendação de investimento.

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