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investimentos·por Equipe Endinheirados·30 de julho de 2026·7 min

Brasileiros disparam compras de stablecoins no exterior; volume dobra em seis meses

Entre janeiro e junho de 2026, brasileiros adquiriram US$ 14,7 bilhões em stablecoins no exterior, quase o triplo do mesmo período do ano anterior. Dados do Ban

Redação Endinheirados · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 30 de jul. de 2026, 15:30
Compra de stablecoins no exterior mais que dobra no primeiro semestre e  chega a US$ 14,8 bilhões
Foto: Foto: JOTA · Unsplash

Os brasileiros mais que dobraram suas compras de stablecoins no exterior nos primeiros seis meses de 2026. Segundo dados do Banco Central, entre janeiro e junho foram adquiridos US$ 14,7 bilhões, comparado aos US$ 6,4 bilhões no mesmo período do ano passado. O crescimento de 130% em pouco mais de um semestre acende um sinal amarelo pro regulador: enquanto o real enfraquece e a inflação persiste, mais brasileiros buscam proteger seu dinheiro fora do país com moedas digitais atreladas ao dólar.

Por que os brasileiros correm para as stablecoins

Stablecoins são criptomoedas que mantêm seu valor atrelado a uma moeda real, geralmente o dólar. O mais comum é o USDT (Tether) e o USDC (USD Coin), ambos amplamente negociados em exchanges internacionais. A atração é óbvia: você consegue dólares digitais sem sair de casa, sem burocracia de conta bancária no exterior, e com liquidez 24 horas. Pra um brasileiro vendo o real desvalorizar e temendo inflação futura, é uma saída rápida.

Agora, aqui está o que ninguém quer discutir: esse movimento acontece fora do sistema financeiro tradicional brasileiro. Não passa por banco, não é rastreável como câmbio comum, não tem imposto de renda sendo automaticamente retido. O Banco Central enxerga isso como capital saindo do país — e em volume que assusta. Não é ilegal, mas é um sintoma claro de desconfiança na estabilidade do real a médio prazo.

O contexto que explica o apetite

O real operou em queda consistente ao longo de 2025 e entra em 2026 sob pressão. A taxa Selic (a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Banco Central) segue em níveis elevados, mas mesmo assim não consegue manter o câmbio sob controle. Inflação doméstica acima do alvo também corrói confiança. Enquanto isso, o dólar segue forte globalmente, especialmente com a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos por mais tempo.

Pra investidores com dinheiro sobrando que não confiaram 100% na moeda local, stablecoins viraram uma porta de saída. E aí tá o detalhe: isso num é coisa de super-rico. Exchanges de criptomoedas brasileiras facilitaram o acesso a qualquer pessoa com smartphone. O volume de US$ 14,7 bilhões em seis meses sugere que tá se massificando mesmo.

Quem sai ganhando e quem tá preocupado

As exchanges de criptomoedas ganham comissões. A indústria de criptomoedas global ganha liquidez. O investidor individual ganha acesso rápido a dólares sem intermediários tradicionais.

Quem perde? O Brasil inteiro. Capital saindo do país em volume crescente reduz investimentos domésticos, enfraquece a moeda ainda mais, e força o Banco Central a manter juros altos pra tentar puxar capital de volta. É um círculo vicioso. O regulador vira refém da situação: juros muito altos quebram empresas, mas juros baixos disparam mais saída de capital pra stablecoins.

O que isso sinaliza pra frente

O Banco Central provavelmente vai apertar o cerco em breve. Pode exigir maior transparência em operações com criptomoedas, criar impostos específicos, ou até tentar regular stablecoins de forma mais dura. Alguns países já tão fazendo isso.

Mas aqui tá a verdade: é muito difícil impedir. A tecnologia tá aí, a demanda tá aí, e o brasileiro tá votando com seu dinheiro que num confia na estabilidade de curto prazo. Isso num é crime, mas é um aviso de que algo no país tá chacoalhando. Enquanto o Brasil num resolver sua questão fiscal, inflacionária e cambial, esses números só tendem a piorar. Os próximos meses vão mostrar se o movimento continua acelerado ou se alguma medida regulatória consegue desacelerar.

O que você pode fazer com essa informação? Se tá considerando stablecoins, saiba que é legal, mas que o regulador tá atento e pode mudar as regras. E se apoia política monetária responsável, pode começar a questionar por que tanta gente prefere sair do real.

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