99 investe R$ 100 mi em entrega de mercado e farmácia: o táxi virou supermercado
A 99 entra na disputa com Rappi e iFood criando um serviço de entregas rápidas de itens de mercado e farmácia em São Paulo, investindo R$ 100 milhões

A 99, que ficou conhecida como o Uber brasileiro, está largando a plataforma de transporte para entrar na briga por quem entrega supermercado e remédio mais rápido. A empresa acaba de anunciar o lançamento da 99Compras em São Paulo, com investimento de R$ 100 milhões para enfrentar Rappi e iFood nesse mercado.
De táxi a entregador de leite e aspirina
Parece estranho? Pois é. A 99 nasceu há dez anos como um aplicativo de transporte — basicamente um concorrente direto do Uber. Mas desde 2017, quando começou a explorar entrega rápida de itens de baixo peso (as chamadas quick commerce ou compras rápidas), vem testando diferentes segmentos. Agora quer colocar mercado e farmácia no mapa, algo que Rappi e iFood já dominam há alguns anos.
O modelo é conhecido: você abre o aplicativo, pede arroz, feijão, leite, fraldas ou qualquer coisa que estava na sua lista, e em 15 a 30 minutos chega na sua porta. Não é delivery de comida. É literalmente o que você iria comprar no supermercado, só que sem sair de casa.
Por que a 99 está entrando nessa agora?
O aplicativo tem uma vantagem que não pode ser ignorada: já tem milhões de usuários em São Paulo que conhecem a plataforma e confiam. Além disso, tem uma frota de motoqueiros e motoristas já treinados e acostumados a fazer entregas pela cidade. O investimento de R$ 100 milhões vai estruturar centros de distribuição, expandir a frota e contratar pessoal.
O mercado de quick commerce é rentável, mas brutal. Exige logística de verdade, gerenciamento de estoque (não é igual pedir uma pizza) e capacidade de lidar com devoluções de itens frescos. Rappi tem presença forte em várias cidades brasileiras, e o iFood, apesar de ser conhecido por comida, já investe pesado nesse segmento também.
O que muda na prática pra quem usa?
Se você está em São Paulo, vai ter uma opção a mais quando precisar de algo rápido no mercado ou farmácia. A competição geralmente reduz preços e melhora a qualidade do serviço — quanto mais opção, melhor pro consumidor.
Mas há um risco: a 99Compras precisa virar lucrativa. Quick commerce é um negócio de margens apertadas, o aplicativo ganha com comissão ou assinatura mensal. A empresa vai competir com players que já estão estabelecidos e têm escala, o que significa queimar dinheiro por bastante tempo até consolidar a operação.
O que essa aposta sinaliza sobre a 99?
A empresa, que foi vendida pela maioria de seus acionistas para a Uber em 2021 (mas mantém uma operação independente no Brasil), está sinalizando que não quer ficar presa só a transporte. A indústria de mobilidade urbana está consolidada e competitiva. Diversificar pra logística e quick commerce é uma estratégia de sobrevivência e crescimento.
O lançamento é apenas em São Paulo por enquanto. Se funcionar, é provável que a 99 replique o modelo em outras capitais. A meta é clara: ganhar fatia de um mercado em explosão — quick commerce no Brasil é um dos segmentos que mais cresce entre fintechs e startups de entrega.
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